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Anfavea reclama de taxa argentina com o governo

Anfavea reclama de taxa argentina com o governo

A direção da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) procurou o Ministério das Relações Exteriores na segunda-feira para pedir que o governo brasileiro se posicione contra a decisão do governo argentino de taxar os produtos importados do Mercosul.

A decisão tende a afetar ainda mais a exportação e, consequentemente, a produção de veículos no Brasil. A chamada `taxa de estatística`, em vigor na Argentina, não tem nada a ver com Imposto de Importação. Trata-se de uma cobrança para cobrir despesas com burocracia aduaneira. Produtos comprados no Mercosul eram isentos.

No entanto, em busca de mais arrecadação para equilibrar as contas públicas, na segundafeira o governo decidiu elevar o percentual da taxa, de 0,5% para 2,5% e também incluir os países do Mercosul na nova regra. `O percentual é alto e afetará imediatamente nossas exportações`, afirma o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes.

A expectativa dos fabricantes de veículos é que as autoridades brasileiras aleguem que a tributação fere os compromissos assumidos nos acordos do Mercosul. Segundo Moraes, a taxa vai encarecer os veículos e reduzir ainda mais as vendas para o mercado argentino.

Com o agravamento da crise argentina, nos últimos seis meses, os volumes mensais de exportação de veículos produzidos no Brasil caíram praticamente à metade do que eram um ano atrás. Só em abril, a retração chegou a 52,3% em relação ao mesmo mês de 2018. Moraes lembra que as montadoras ajustaram seus níveis de produção por conta da queda das vendas externas.

O volume de veículos fabricados em abril 267,5 mil unidades ficou apenas 0,5% acima do total do mesmo mês do ano passado. Já no acumulado do ano, os volumes já ficaram abaixo, com 965,4 mil unidades, uma retração de 0,1%. A expansão do mercado brasileiro, que cresceu 10,1% no quaclrimestre, com 839,5 mil unidades, foi insuficiente para compensar as perdas de volumes dos embarques ao exterior.

A perspectiva inicial, lembra Moraes, era de uma recuperação da economia do país vizinho a partir do segundo semestre. Mas o quadro piorou, diante de uma inflação de 55% em 12 meses, congelamento de preços e taxa básica de juros acima de 70%, além da volatilidade da moeda local. Para ele, a proximidade da eleição presidencial, em outubro, `cria instabilidade política, o que afeta a economia e a expectativa dos investidores`.

Para ele, isso motiva a indústria automobilística instalada no Brasil a buscar novos mercados de exportação. O que já tem ocorrido. Em um ano, a fatia do mercado argentino nas exportações de veículos produzidos no Brasil caiu de 76% para 59%. Preocupa o setor, no entanto, a perda de competitividade no Brasil. Em sua primeira apresentação dos resultados mensais do setor, ontem, Moraes, que assumiu a presidência da Anfavea há um mês, apresentou um comparativo com o México. Produzir um carro no México custa 18 pontos percentuais a menos que no Brasil, sendo as principais diferenças em materiais e logística.

Aplicando-se os impostos de cada país, a diferença final de custo pode chegar a 44%, dependendo do tipo de veículo. Elaborada pela PwC Brasil, a pesquisa mostra, ainda, que México possui 12 tratados de livre comércio com 46 países e mais 32 acordos bilaterais. Enquanto isso, o Brasil possui seis tratados de livre comércio com 11 países e 21 acordos bilaterais e multilaterais.

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