Analistas elevam projeção de saldo comercial para o ano

Analistas elevam projeção de saldo comercial para o ano

Commodities em alta, recuperação do mercado externo e depreciação do real favorecem cenário para exportação

A combinação de preços de commodities em alta, perspectiva de recuperação acelerada de
mercados compradores, depreciação cambial e revisão da metodologia de contabilização de
exportações e importações pelo Ministério da Economia resultou em nova elevação da
projeção de superávits comerciais deste ano em relação a março, quando as estimativas já
indicavam saldos robustos.

A mediana do Valor Data para as projeções de saldo comercial ao fim de 2021 passou de US$
55,25 bilhões em março para US$ 60 bilhões neste mês. Neste mês, 9 dentre 19 bancos e
consultorias consultados indicam superávit de US$ 70 bilhões ou mais, nível que superaria o
recorde de US$ 67 bilhões na balança comercial anual. Em março, apenas duas dentre 14
instituições pesquisadas tinham estimativa nessa faixa de valor. A Secretaria de Comércio
Exterior (Secex) estima US$ 89,4 bilhões.

A LCA Consultores revisou sua estimativa de superávit comercial ao fim de 2021 de US$ 57
bilhões no início de março para US$ 73 bilhões em abril. Ana Luísa Mello, economista da LCA,
diz que a revisão incluiu os efeitos da mudança metodológica da Secex e também as
estimativas para o cenário das commodities, que contemplam, entre outros, possível
exportação recorde de soja e preços mais altos que o considerado inicialmente para o minério
de ferro.

Além de estabelecer novo recorde para o saldo da balança comercial anual, aponta Ana Luísa,
o superávit projetado contribuiria para um resultado de conta corrente que pode ser positivo
pela primeira vez desde 2007. A projeção da consultoria é de saldo neutro nessa conta em
2021, com viés de alta.

A economista ressalta que a consultoria acompanha ainda fatores que podem alterar a
estimativa de balança, como eventual recuperação mais forte da atividade econômica, que
pode elevar a importações, mesmo com taxa de câmbio muito depreciada. As importações, diz
ela, podem ainda ter impacto de preços pressionados em razão de desabastecimentos na
cadeia global. A LCA projeta crescimento de PIB de 2,8% para 2021.

Com base, entre outros indicadores, na projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI) de
crescimento de 6% da economia global em 2021 e na expectativa de alta de 8,4% no comércio
mundial este ano, a AC Pastore mantém desde março expectativas de superávits robustos. Em
março a projeção chegou a US$ 96 bilhões. Após a elaboração de novos modelos de cálculo
que contemplam a mudança de metodologia da Secex, a estimativa de saldo caiu a US$ 88
bilhões, diz Paula Magalhães, economista-chefe da consultoria

A diferença, explica Paula, aconteceu nas importações, já que as exportações continuam
projetadas em US$ 260 bilhões. O novo modelo, diz ela, deixou de fora as plataformas de
petróleo, cujas operações de importação ou exportação são consideradas atípicas por não
seguirem o dinamismo econômico.

Uma das mudanças da revisão de contabilização divulgadas pela Secex no início de abril foi
em relação ao Repetro, regime especial do setor de petróleo. As operações com plataformas
passaram a ser divulgadas separadamente quando se referem às exportações que no antigo
regime foram feitas de forma ficta ou às posteriores operações de nacionalização, com o fim do
regime. A revisão também passou a incluir na balança as importações no âmbito do Recof e a
compra de energia de Itaipu.

Livio Ribeiro, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV), diz que a projeção de
superávit comercial em 2021 subiu de US$ 55 bilhões em março para US$ 65 bilhões em abril.
A estimativa considera os termos de troca, que surpreenderam positivamente ao subirem mais
rapidamente que o esperado. Os termos de troca atingiram no início do ano, indica o Ibre, o
maior valor da série desde 2011. A projeção, porém, não inclui ainda a mudança de
metodologia da Secex, ressalta o economista. Ele diz, porém, que o saldo estimado deve ser
acrescido em cerca R$ 5 bilhões, dado o efeito da mudança de metodologia no saldo comercial
de março.

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