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América Latina volta a emitir no exterior e Brasil deve ser o próximo

América Latina volta a emitir no exterior e Brasil deve ser o próximo

Divida Pais pode ir ao mercado internacional em meio à queda do risco e clima favorável

Aos poucos as emissões de bônus soberanos da América Latina estão voltando neste início de 2019. Depois das captações de Uruguai e México, o Brasil pode realizar uma emissão de títulos soberanos no mercado externo ainda no primeiro trimestre, segundo analistas. Tradicionalmente, o Tesouro costuma fazer uma emissão de bônus no início do ano para testar a demanda dos investidores internacionais por papéis brasileiros e puxar a fila das captações externas corporativas. A última emissão externa do Tesouro foi em janeiro de 2018, com a oferta de US$ 1,5 bilhão do bônus Global 2047, com prazo de 30 anos, que saiu com um `yield` (taxa de retorno) de 5,6%.

Questionado, o Tesouro afirmou que `monitora constantemente as condições do mercado e poderá realizar emissões externas sempre que estiver diante de uma oportunidade que julgar favorável`. O Tesouro informou ainda que as emissões externas têm como objetivo reforçar os pontos de referência da curva de juros dos títulos brasileiros para os demais emissores, já que possui recursos em moeda estrangeira para fazer frente a mais de um ano de vencimentos da dívida externa.

Segundo investidores, o Tesouro vem acompanhando as condições de mercado de perto e pode aproveitar a melhora do risco brasileiro para sair com uma operação já no curto prazo. O Credit Default Swap (CDS) do Brasil de cinco anos, medida do risco soberano, recuou 32 pontos-base neste ano e bateu em 175 pontos-base ontem menor patamar desde abril de 2018, mas ainda acima dos 150-pontos registrados em janeiro do ano passado quando o Tesouro fez sua última emissão.

Para o chefe de renda fixa da corretora Andbanc Brokerage, em Miami, Carlos Gribel, há demanda para uma emissão do Brasil lá fora. `O Tesouro deve estar esperando uma sinalização mais forte do governo sobre a reforma da Previdência para pagar mais barato`, diz. A expectativa é que a reforma da Previdência seja apresentada após a volta do presidente Jair Bolsonaro do Fórum Econômico Mundial em Davos (Suíça).

Ontem, a ausência de uma defesa mais firme da reforma da Previdência durante discurso do presidente no Fórum em Davos chegou a levantar dúvidas nos investidores sobre o comprometimento do governo com a reforma. Segundo Gribel, a reforma da Previdência pode ajudar a elevar o rating soberano do Brasil e permitir que o país capte a um custo abaixo da emissão realizada no ano passado. O papel soberano do Brasil para dez anos negociava a 99% do valor de face no mercado secundário.

De forma geral, os mercados emergentes têm se beneficiado de um ambiente um pouco mais benigno após o discurso mais moderado do Federal Reserve (Fed, banco central americano) sobre uma nova alta da taxa de juros nos Estados Unidos e a atenuação das tensões comerciais entre EUA e China.

Essa melhora da demanda por papéis emergentes já se reflete nas primeiras emissões de países da América Latina neste ano. O Uruguai, que tem grau de investimento pelas agências de rating, captou, no último dia 15, US$ 850 milhões com um papel com vencimento em 2031. A operação teve uma demanda de US$ 6,2 bilhões e saiu com yield de 4,465%, cerca de 175 pontos sobre a taxa dos Treasuries (títulos do Tesouro americano). `Tivemos uma demanda relevante com a participação de investidores dedicados a mercados emergentes`, diz Baruc Saez, diretor de renda fixa para emissões da América Latina (excluindo Brasil) do Itaú BBA. O banco coordenou, junto com o J.P. Morgan e o Scotiabank, a oferta do Uruguai que abriu o mercado de emissão de dívida na América Latina neste ano.

Já o México fez uma emissão de US$ 2 bilhões com prazo de dez anos e uma taxa de cupom de 4,5% e yield de 4,577% prêmio de 185 pontosbase sobre o Treasury na primeira captação externa do país desde a posse do novo presidente Andrés Manuel López Obrador. A demanda para a operação alcançou US$ 9,5 bilhões.

Apesar de ter grau de investimento, havia dúvidas sobre o sucesso da emissão do México depois que o governo decidiu cancelar a construção do novo aeroporto da Cidade do México. `O Uruguai é mais estável que o México e, por isso, a taxa da emissão mexicana saiu acima da do Uruguai`, diz Saez. Apesar da maior volatilidade verificada ontem nos mercados, o executivo do Itaú BBA afirma que há um apetite grande e liquidez para captações de emissores da região com grau de investimento, além de grandes companhias latino-americanas. Segundo Saez, Colômbia, Chile e Paraguai podem fazer novas emissões neste ano.

Aos poucos, o fluxo para fundos que investem em bônus da América Latina começa a voltar. Essas carteiras registraram entrada líquida deUS$ 202,06 milhões no ano, até 18 de janeiro. Já o fluxo para os fundos dedicados a bônus brasileiros somavam aporte líquido de US$ 9,29 milhões no período, segundo dados da EPFR.

Para Saez, o que vai influenciar as emissões de bônus é a perspectiva para a política monetária americana. Segundo o executivo, o mercado reflete a manutenção da taxa básica americana atualmente entre 2,25% e 2,5% até o fim do ano. O Itaú projeta apenas um aumento da taxa americana neste ano.

O executivo espera que as emissões de bônus na região neste ano devam ficar em patamar igual ou inferior ao volume registrado no ano passado, que somou US$ 71 bilhões, de acordo com o Citi. O motivo é a redução das emissões previstas pelo México e pela Argentina.

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