América Latina forja seu ´consenso antissistema

América Latina forja seu ´consenso antissistema

Depois do ocaso dos consensos de Washington e de Brasília, emerge na América Latina o `consenso antissistema`. Para o presidente do centro de estudos Diálogo Inter-Americano, Michael Shifter, a eleição do esquerdista Andrés Manuel Lopez Obrador, no México e a ascensão Jair Bolsonaro no Brasil fazem parte do mesmo fenômeno, apesar de os dois serem antípodas ideológicos.

Depois do ocaso dos consensos de Washington e de Brasília, emerge na América Latina o `consenso antissistema`. Para o presidente do centro de estudos Diálogo Inter-Americano, Michael Shifter, a eleição do esquerdista Andrés Manuel Lopez Obrador, no México e a ascensão Jair Bolsonaro no Brasil fazem parte do mesmo fenômeno, apesar de os dois serem antípodas ideológicos. Na avaliação do americano, está em curso uma reação violenta contra o establishment político, E os eleitores não acreditam que os políticos tradicionais possam resolver os problemas de segurança, corrupção e pobreza.

`Tivemos [nos anos 1990] o consenso de Washington, neoliberal, que foi substituído pelo consenso de Brasília, com governos de centro-esquerda fazendo distribuição de renda graças a altos preços de commodities. Agora temos um consenso ´antissistema´ emergindo na região`, diz.

Mas essa é só a sucursal latino-americana de uma rede que tem se estabelecido no mundo. `O Brasilpode se tornar o mais novo membro desse clube que inclui os EUA de Donald Trump e vários países europeus, como a Hungria e a Polônia, onde eleitores frustrados com o establishment político optampor líderes que se vendem como adversários dos políticos tradicionais.`

Apesar da provável `química` entre Trump e um eventual presidente Bolsonaro, isso não significa que os EUA apoiariam automaticamente o governo brasileiro, diz Shifter. Para ele, Washington esperaria para ver se um presidente Bolsonaro respeitaria as instituições democráticas. `Apesar de haver semelhanças e química entre Bolsonaro e Trump, os EUA não necessariamente apoiariam um governo fraco e instável, como parece que seria um governo de Bolsonaro`, diz Shifter.

Segundo ele, os EUA quereriam se certificar de que os freios e contrapesos do Brasil Congresso, Judiciário, sociedade brecariam impulsos autoritários de Bolsonaro. Mesmo Trump não sendo um defensor de líderes democráticos? `Sim, ele não é fã de Nicolás Maduro, p or exemplo, e vai querer se certificar de que Bolsonaro não seria radical e não adotaria políticas estatistas, apesar de ter um assessor econômico liberal.`

O analista não acredita em um modelo pinochetista no Brasil, com uma economia fiel à escola de Chicago e umlíder forte e autoritário. `Bolsonaro não tem nenhum histórico de políticas de livre mercado e não há garantias de que vai ouvir Paulo Guedes e implementar reformas necessárias, mas impopulares`, diz.

Shifter afirma também que o equilíbrio de poder nos EUA pode estar prestes a mudar.

`Em novembro, é provável que os Democratas conquistemo controle da Câmara nas eleições, então haverá outras vozes influentes no governo, ainda que exista química entre Bolsonaro e Trump.`

 

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