América do Norte deve continuar a puxar resultados da Marfrig, mas cenário melhora na América do Sul

América do Norte deve continuar a puxar resultados da Marfrig, mas cenário melhora na América do Sul

Embora a demanda continue fraca, aumento da oferta de gado em Brasil e Argentina tende a elevar margens

Embora a boa fase das operações nos EUA perdure e a controlada americana National Beef deva continuar a puxar os resultados da brasileira Marfrig neste quarto trimestre, o cenário começou a melhorar também na América do Sul, a partir do progressivo aumento da oferta de gado no Brasil e na Argentina.

No terceiro trimestre, os recordes registrados pela National Beef turbinaram os resultados consolidados da Marfrig. O lucro líquido da companhia cresceu 148,7% em relação ao mesmo período de 2020, para quase R$ 1,7 bilhão, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado aumentou 115,6%, para R$ 4,7 bilhões, a margem Ebitda ajustada subiu 7 pontos, para 20%, e a receita líquida total chegou a R$ 23,6 bilhões, com alta de 40,4%.

América do Norte
Graças à National Beef, na América do Norte o Ebitda ajustado avançou 159,4%, para R$ 4,5 bilhões (95% do total), o lucro bruto foi de R$ 4,8 bilhões (US$ 926 milhões), 146,4% maior que entre julho e setembro de 2020, e a receita líquida cresceu 38,9%, para R$ 16,7 bilhões (US$ 3,2 bilhões).

Segundo Tim Klein, CEO da National Beef, na América do Norte o terceiro trimestre é historicamente o mais forte do ano, mas em 2021 o aumento sazonal da demanda veio acompanhado de um aumento de preços no próprio mercado americano e em países para os quais a National Beef exporta, como Japão e Coreia do Sul.

“Os fundamentos continuam a nosso favor nos EUA”, disse Tim Klein, CEO da National Beef, na teleconferência. Ou seja, esclareceu, a oferta de gado continua confortável e a demanda ainda é “robusta”, combinação que já vem engordando os resultados consolidados da Marfrig desde o ano passado. Assim, reforçou, as margens operacionais tendem a continuar atraentes.

América do Sul

Enquanto na América do Norte o quadro favorável perdura, na América do Sul a situação começou a mudar, para melhor. Embora a demanda por carne bovina continue frágil por causa de problemas econômicos derivados da pandemia, o food service começou a reagir, sobretudo no Brasil, e a oferta brasileira e argentina de gado já é crescente, o que pressiona as cotações do boi gordo.

No terceiro trimestre, a receita líquida sul-americana da Marfrig aumentou 44,1% na comparação com o mesmo período de 2020, para R$ 6,9 bilhões, e, embora o aumento de custos ainda tenha pressionado, houve lucro bruto de R$ 571 milhões e a margem bruta atingiu 8,3%. As exportações representaram 62% da receita total na América do Sul entre julho e setembro, e China e Hong Kong responderam por 64% dos embarques.

Segundo Miguel Gularte, CEO da Marfrig, a suspensão das exportações brasileiras de carne bovina à China no início de setembro, em decorrência da confirmação de dois casos atípicos do mal da “vaca louca” no país (em Minas Gerais e Mato Grosso), não gerou impactos significativos nos resultados do terceiro trimestre porque havia cargas estocadas em portos e também por causa de um redirecionamento para o Uruguai, de onde a companhia ampliou as vendas.

Como a expectativa é que a China ao menos comece a reabrir as portas para a carne do Brasil nos próximos dias, a tendência é que o arranjo exportador da Marfrig também se normalize. Certamente será uma boa notícia, até porque, embora o cenário tenha melhorado no Brasil do ponto de vista de margens, o consumo per capita continua em níveis baixíssimos devido à recessão econômica — e, conforme Gularte, não deverá haver aumento significativo nem neste quarto trimestre nem entre janeiro e março de 2022.

Enquanto espera a volta da China e tenta melhorar a performance das exportações a partir do Brasil para outros mercados — a demanda na Europa, por exemplo, está em alta —, a Marfrig também continua buscando reduzir custos e balanceando seus abates, que diminuíram 30% no país em meio à crise. Também na América do Sul, a companhia informou que começará a construir sua planta no Paraguai no primeiro trimestre de 2022, e que as obras deverão durar 18 meses.

Investimentos na BRF
Ainda durante a teleconferência, os executivos da Marfrig voltaram a garantir que, embora a companhia tenha elevado recentemente sua participação na BRF para 31,9%, o investimento na dona das marcas Sadia e Perdigão é “passivo”, como voltou a afirmar o controlador Marcos Molina. Tang David, vice-presidente de finanças da Marfrig, deixou claro que o aumento da participação não chegará à fronteira de uma poison pill (33,3%).

Os executivos da companhia ainda destacaram na teleconferência que, em meio aos bons resultados na América do Norte e aos desafios na América do Sul — onde os esforços para garantir a sustentabilidade da produção continuam —, seu índice de alavancagem, atingiu o menor nível da história no terceiro trimestre deste ano. Em reais, o índice ficou em 1,10x, e em dólar ficou em 1,07x. O fluxo de caixa livre avançou 134,1% em relação ao mesmo período do ano passado e alcançou R$ 3,8 bilhões. Segundo Tang, o caixa é suficiente para cobrir dívidas até 2026.

Por Fernando Lopes e José Florentino

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