Amazônia já tem regiões que emitem mais gás carbônico que absorvem

Amazônia já tem regiões que emitem mais gás carbônico que absorvem

14/07 Estudo liderado por pesquisadora do Inpe aponta que desmatamento, temporadas de secas e incêndios foram fatores decisivos para que algumas áreas da floresta passem a produzir mais CO2

Algumas zonas da Floresta Amazônica já passaram a emitir mais dióxido de carbono do que absorvem, de acordo com estudo publicado nesta quarta-feira, 14, na revista Nature. Fatores como o desmatamento causado pelo homem e efeitos das mudanças climáticas parecem ter influenciado a capacidade do bioma de atuar como um "filtro" de um dos principais gases responsáveis pelo efeito estufa.

O estudo levou em consideração centenas de amostras de ar coletadas na parte mais baixa da atmosfera terrestre, entre 2010 e 2018, e constatou que a parte sudeste da Amazônia se tornou uma grande fonte de emissão de CO2. Durante os últimos 50 anos, as plantas e o solo absorveram mais de 25% das emissões de gás carbônico. Já as emissões aumentaram em até 50%.

O estudo foi liderado por Luciana Gatti, do Instituto Nacional de Investigação Espacial (Inpe), órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia. também descobriu que as emissões de carbono são maiores na parte oriental da Amazônia do que na ocidental, sobretudo por causa de incêndios. Nos últimos 40 anos, o leste da floresta sofreu mais desmatamento, aquecimento e estresse hídrico do que a parte oeste, especialmente durante as temporadas de seca, uma tendência que foi observada de forma ainda mais forte na porção sudeste.

De acordo com os autores do estudo, os resultados encontrados podem ajudar a contextualizar melhor os impactos de interações entre o clima e as populações humanas a longo prazo, assim como o balanço de carbono na maior floresta tropical do mundo.

Desde 1970, as florestas tropicais da região foram reduzidas em 17%, sobretudo para dar lugar a pastagens para a pecuária. Elas geralmente são incendiadas, o que libera grandes quantidades de CO2 e reduz o número de árvores disponíveis para absorvê-lo.

A própria mudança climática também é um fator chave. As temperaturas da estação seca aumentaram em quase 3 ºC em comparação com os níveis pré-industriais, o triplo da média global ao longo do ano.

Ao revelar uma associação entre o desmatamento e as mudanças climáticas em toda a Amazônia, o estudo sugere também que essas interações humanas podem ter consequências duradouras e negativas tanto para o déficit de carbono da região como para a fragilidade de seus ecossistemas.

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