Aloysio Nunes: Léo Pinheiro entregou minha cabeça à Lava Jato para se livrar da prisão

Aloysio Nunes: Léo Pinheiro entregou minha cabeça à Lava Jato para se livrar da prisão

Delatado pela OAS, tucano critica operação, cita ´manipulação´ de Moro no impeachment de Dilma e fala de amizade com Paulo Preto

Acusado pelo expresidente daOASLéoPinheiro, em delação premiada, de ter solicit ado propina de obras em São Paulo para campanhas do PSDB, o ex-senador e ex chanceler Aloysio Nunes, 74, diz que o relato ê absurdo e composto apenas por informações que não podem ser sujeitas à comprovação.

 A Folha o tucano afirma que o empresário, que ficou preso por três anos, entregou sua cabeça ã Lava Jato para se livrar de `uma prisão queestava se eternizando`.

Aloysio dirigiu a Investe SP (agência estatal de fomento) no início do governo João Doria (PSDB) e deixou o cargo após sofrer busca e apreensão da Lava [ato. Os procuradores de Curitiba levantaram suspeitas à época sobre sua ligação com o engenheiro Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, apontado como operador do PSDB.

 

Emails obtidos no exterior mostraram a emissão em 2.007 de um cartãovinculado auina conta bancária de Paulo Preto na Suíça que seria entregue a Aloysio na Espanha. O tucano diz que mantinha amiza de com o engenheiro e nega ter cometido irregularidades.

Opositor ao PT e ex-ministro de Michel Temer (MDB), Aloysio afirma que as conversas de procuradores no aplicativo Telegram provam que houve `irmamanipulação política do impeachment` da expresidente Dilma líousseff.

 

O sr. ainda tem atividade partidária apõs deixar o governo Doria?

Soumembro da executiva do PSDB, para quem freqüentemente faço observações. Me preocupa muito o silêncio do PSDB sobre temas que sào muito caros ao eleitorado do PSDB.

Quais temas?

Jair Bolsonaro cultiva osseus eleitoresde raiz. O PSDB, não. [O partido] não se pronuncia com vigor sobre temas como direitos humanos, política ambiental. A gueixa ideológica foi encampada em São Paulo por uma CPI das Universidades, que é um espetáculo constrangedor. O PSDBapoiou. Há temaspalpitantes, que comovem parte do eleitorado do PSDB. E, por não ter resposta, vão acabar se afastando. Falta definição concreta: o PSDB é situação ou oposição a Bolsonaro?

Nós que perguntamos.

Não sei [risos],

E como o PSDB deve se posicionar?

Na oposição, obviamente. Perdemos a eleição.

Ser de oposição a Bolsonaro não é o oposto do que João Doria pregou, o `Bolsodoria`?

Não quero falar do governador Doria. O governador tem a missão fundamen tal de dirigir o estado e fazer um bom governo, como acho que está fazendo. Não cabe fazer op osição ao governo federal. A função dele é governar São Paulo, com a boa equipe e projetos claros que ele tem.

Como o sr. viu o discurso de Bolsonaro na ONU?

Com constrangimento. Não tem sentido ocupar a tribuna para falar s obre Foro de São Pau loreunião de nefelibatas de extrema-esquerda, dedicados a uma espécie de onanismo ideológico. É um governo com discurso da Guerra Fria.

 Vamos a questões relativas à Lava Jato. Como foi o dia da ação |de busca, em fevereiro] ? Qual foi o objeto do mandado?

Um cartão de débito para viagem comlimite de 10 ínileuros entregue num hotel onde eu es tava em Barcelona, aos meus cuidados. Consta do inquérito email de um banco, pedindo ao seu correspondente da Espanha que entrega sse. Acontece q ue há outro email, do mesmo banco, pedindopara anular o cartão, que foi pedido por engano.

E fazem uma busca e apree nsão em minha casa, em 2019, atrás de um cartão de credito emitido em 2007, que sabiam que tinira sido cancelado.

O senhor nunca usou essecartão?

Não. Ainda que tivesse usado, eu não sabia. Eu sabia que o Paulo de Souza tinira conta no exterior, como muitos brasileiros têm. Mas não tinha idéia de como essa conta poderia ser abastecida.

 Por que o seu nome foi aparecer 110 email, então?

 Porque era um cartão aos meu s cuidado s, não era um cartão meu. Apareceu no cartão o meu nome. O banco percebeu o engano e mandou cancelar. Paulo estava esquiando em Andorra e ia passar por Barcelona e pegaria o cartão no hotel. Era um fim de ano e na Espanha não funciona nada. Ele pediupara eu pegar o cartão. Sou am igo d o Pauio de So uza.

Esclarecendo: foi um favor que o sr. prestou a seu amigo naquela ocasião, o cartão estava no seu nome e foi cancelado? E ainda que tivesse usado, qual o crime cometido?

Nenhum. Vocêpode me emprestar um cartão de débito. Tudo bem. Eu uso e depois lhe pago.

 O sr. confia na atuação que ele teve nos governos em São Paulo?

O que eu conheço, sim. Conheço um trabalho eficiente, pontual, feito dentro dos orçamentos aprovados.

Mas ele declarou, por exemplo, ter RS 130 milhões em contas no exterior.

Isso ele tem que explicar. Eu não sei.

O sr. mantinha contato com ele até antes de ele ser preso?

Sim, sou amigo do Paulo Souza. Não ftinha] contato muito freqüente, eu estava em Brasília. Tive contato com ele de amizade, com ele e com a família.

E sobre Léo Pinheiro: qual era a relação do sr. com ele?

Conheço há muitos e muitos anos, desde a juventude. Como dirigente da OAS, tive muitas reuniões, como deputado, como secretário. Nunca ousou em fazer qualquer tipo de proposta que implicasse em troca de favores administrativos por dinheiro.

 

Foisurpresa essa delação, os fatos são absurdos. São acusações de crimes eleitorais que eu teria cometido em benefício de José Serra e em meu benefício, que eu sequer vou poder comprovar [a inocência], porque tantoSerra quanto eu tenros mais de 70 anos e essas coisas estão prescritas.

Para o sr. Tudo está prescrito? Pode se entender que houve crime de corrupção.

 Vamos pegar coisas lá: ele diz que eu pedi propina na linha-4 [do metrô] para que uma reivindicação [da OAS] dereequilíbrio do contrato fosse atendida. O reequilíbrio foi concedido por uma corte arbitrai. Léo Pinheiro convive com governos há 4 o anos,nãodaria dinheiro aninguêm senão precisasse. Sabia que era urna decisão que náo dependia do governo.

Sobre [pagamentosnocontrato da rodovia] Carvalho Pinto: era uma disputa judicial. O estado havia sido condenado a pagar, havia uma ameaça de seqüestro das receitas de pedágio. O estado fez acordo para pagar parceladamente.

A acusação é de que o estado vendia uma dificuldade para conseguir uma facilidade.

Se ele já tinha uma decisão judicial a favor, qual foi a facilidade?

Outro exemplo: [contrato da] ponte estaiada [Octavio Frias de Oliveira]. Quando Serra entrou na prefeitura, a ponte estava praticamente pronta. Faltava completar um acesso e submeter a ponte a um teste de vento, para ver se ag uentava temporal Tem cabimento imaginar que o Serra fosse deixar de completar? Precisaria pagar para completar?

Na minha eampanha, pedi recursos à OAS e outras e ínpre sas. Era legal, legítimo, e não sou homem que tem fortuna. Não faria sentido pedirpropina para a campanha do Serra nessas obras, uma vez que estavam asseguradas à OAS.

 Por que Léo Pinheiro faria toda essa descrição?

 Eleentregoua minha cabeça aos `lavajatos` e, com isso, conseguiu ir para casa, se livrar de uma p ri são que estava se eternizando. Um homem doente, idoso. Ao mesmo tempo, alinha uma série de fetos cuja prova vai demorar sei lá quanto tempo. Porque náo tem como provar.

Que avaliação o sr. faz da La va Jato?

Acho que os diálogos divulgados pelo fntercept e por vários veículos carimbam muitos desses procedimentos de absoluta ílegítimi dade. Processo judicial exige um juiz independente. Ê um processo viciado por essa relação promíscua entre o juiz e os procuradores, imbuídos de um projeto político. São janízaros lideradospor um vizir que quer ser o próximo califa no lugar do califa atual.

Em 2016, o sr. disse que ninguém poderia barrar a Lava Jato.

Verdade. Depois das revelações, fico profundamente chocado com o que aconteceu na Lava Jato.

O Supremo tinha que tomar providências, uma vez que o Conselho Nacional de Justiça não sei se tomará.

Foi uma surpresa? O PT sempre criticou o viés político [da operação].

Quando você fala na divulgação do diálogo de Lula com a Dilma, evidentemente você tem umamanipulação política do impeachment. Quando tem a divulgação da delação de [Antônio] Palocci nas vésperas da eleição, você tem manipulação política da eleição presidencial. f sso feito de caso pensado, como os diálogos revelaram. Para mim, torna esses casos em que esse tipo de procedimento se verificou nulos, porqueatingiuum princípio fundamental, que éa garantia de um juiz imparcial.

Na época do impeachment, o PSDB explorou muito adivul gação dos diálogos.

Não só o PSDB. OSupremo acaboupor barrar aposse do Lula [como ministro de Dilma] combase em uma divulgaçãoparcial de diálogo, feita por eles, [Sérgio] Moroe seus subordinados, do Ministério Público. Eles manipularam o impeachment, venderam peixe podre para o Supremo Tribunal Federal. Isso é muito grave.

O sr. na época do impeachir ment era uma das principais lideranças.

Náo tiníramos o mesmo entusiasmo da bancada da Câmara. Éramos mais prudentesem relação ao que estava acontecendo. Dilma não conseguiu ter sequer r73 voto s a favor dela para barrar o processo de impeachment na Câmara, ficou evidente que ela tinhaperdídoas condições de governar.

Houve um peso político na divulgaçãodosáudios?

Eles [autoridades da Lava Jato] manipularam o impeachment ao barrar a posse do Lula. Lula, que dizem que era um governo socialista, governou com a direita. Teria rapidamente condições de segurar a base política.

Aloysio Nunes Ferreira Filho, (74) - É formado em direito pela USR Foi deputado federal, estadual, vicegovernador de São Paulo, senadore ministro das Relações Exteriores no governo Michel Temer. Em 2014, foi candidato a vicepresidente da República na chapa de Aécio Neves (PSDB)

José Marquese - Felipe Bãchlold

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