Alemanha ditará ritmo do acordo entre UE e Mercosul

Alemanha ditará ritmo do acordo entre UE e Mercosul

A nova Comissão Europeia, que é o braço executivo da UE, quer consolidar compromissos comerciais já assumidos, como o acordo com o Mercosul, e evitar várias frentes de disputas ao mesmo tempo

A Alemanha será o país a dar o ritmo do encaminhamento do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul para exame pelas instituições europeias. O país assumirá em julho a presidência rotativa do Conselho Europeu, segundo fontes.

O acordo entre UE e Mercosul foi anunciado em junho de 2019, e a oposição ao compromisso aumentou após o aumento das queimadas na Amazônia, que foram manchetes no mundo inteiro. A previsão dos negociadores é que até abril seja concluída a revisão legal das centenas de páginas do acordo. Depois será feita a tradução do texto para as línguas oficiais europeias.

Assim, no segundo semestre, uma segurança contra o risco de engavetamento do acordo é a presidência alemã do Conselho Europeu para levar os líderes europeus a examinar o compromisso entre os dois blocos, o que não será fácil. A França já disse que, no estado atual, não assina o acordo. A Irlanda também resiste, assim como Áustria e Luxemburgo, alegando razões ambientais.

Em todo caso, a Alemanha, com maior poder econômico e político e forte identidade de proteção ambiental, é vista como o país que saberá superar a rejeição de alguns membros opositores. Isso ao jogar seu peso na garantia de que serão respeitados os padrões ambientais previstos no capítulo de desenvolvimento sustentável do tratado.

Além disso, a nova Comissão Europeia, que é o braço executivo da UE, quer consolidar compromissos comerciais já assumidos, como o acordo com o Mercosul, e evitar várias frentes de disputas ao mesmo tempo. Sabe que, cedo ou tarde, terá confronto com os Estados Unidos especialmente sobre a taxa carbono, que colocará mais pressão sobre os parceiros na área ambiental.

A ideia europeia de querer taxar produtos importados de países cuja fabricação provoca muitas emissões de dióxido de carbono, punindo indústrias poluidoras, já fez o governo de Donald Trump ameaçar, na semana passada, retaliar os europeus.

Só depois do sinal verde do Conselho Europeu é que o acordo UEMercosul vai para o Parlamento. E lá o Partido Verde, sobretudo, continua a guerra contra o tratado. No começo do ano, o partido publicou um estudo de impacto de mais de 130 páginas no qual detona o acordo.

Os verdes, com crescente influência na cena política europeia, alegam que o Brasil assumiu o compromisso, pelo Acordo de Paris, de combater contra o desmatamento ilegal e reflorestar 12 milhões de hectares na Amazônia. Mas observam que de junho de 2018 a junho de 2019 o desmatamento aumentou 88%.

Argumentam também que o Brasil, junto com os EUA, lidera o uso agrotóxicos. E dizem que o país não só reconhece 500 pesticidas como usa 150 que seriam proibidos no mercado europeu. Os verdes insistem que o governo Bolsonaro aumentou os registros de defensivos.

O Partido Verde considera que o acordo UE-Mercosul não tem como passar no Parlamento Europeu e acusa os países do Mercosul como um todo de terem desempenho ambiental medíocre. É nesse contexto que a Alemanha, favorável ao tratado, deverá agir. Na verdade, membros do governo de Ângela Merkel já propuseram a inclusão de uma cláusula adicional de certificação de sustentabilidade para a importação de carne e soja do Mercosul.

No primeiro semestre de 2021, o cenário continuará favorável ao acordo, já que será a vez de Portugal, que também o apoia embora tenha menor peso que a Alemanha assumir a presidência da UE.

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