Agricultura sofre as dores do crescimento com dificuldades na oferta de insumos

Agricultura sofre as dores do crescimento com dificuldades na oferta de insumos

Ampliação de área exige mais agroquímicos, mas China tem dificuldades no fornecimento

A agricultura poderá sofrer as dores do crescimento nesta próxima safra. A área de plantio cresce no país, mas haverá dificuldades na obtenção de alguns insumos, principalmente no setor de agroquímicos.

“Receio que vamos necessitar de mais assistência técnica profissional no campo para orientar produtores para manejos diferenciados”.

A observação é de Júlio Borges Garcia, presidente do Sindiveg (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Vegetal). Ele acrescenta que manejo integrado, boas práticas, rotação de culturas e produtos biológicos serão importantes.

Garcia tem motivos para a preocupação. Após um crescimento de 2,9 milhões de hectares no plantio na safra 2020/21, o cultivo de soja e de milho deverá aumentar em mais 3,2 milhões no período 2021/22, segundo avaliações do mercado.

A China, importante fornecedora de insumos para a fabricação de agroquímicos, continua com atrasos no fornecimento de algumas moléculas.

A situação, que não se normalizou desde o início da pandemia, vai se agravar ainda mais com a segunda onda de Covid-19 e com o excesso de chuvas e de enchentes em algumas regiões do país asiático, afetando a produção das indústrias, segundo Garcia.

O avanço de área de soja e de milho eleva a utilização de químicos nas lavouras. No primeiro semestre deste ano, a alta foi de 7,6% no volume consumido, em relação a igual período de 2020.

O consumo subiu para 472 mil toneladas, utilizadas em 749 milhões de hectares, 9,4% a mais do que em 2020. Para chegar a esse número, o Sindiveg considera a área tratada e o número de aplicações realizadas no período.

O aumento na utilização de agroquímicos no campo ocorre também devido à maior incidência de pragas e de doenças nas lavouras, além da presença de plantas daninhas.

Os preços das commodities favorecem a expansão de área. Os custos da próxima safra, no entanto, vão pesar bem mais no bolso dos produtores do que os atuais.

Os agroquímicos estão na lista dos produtos que virão com novos preços. Os praticados neste ano foram acertados com os produtores com uma perspectiva de um dólar abaixo de R$ 5, mas a moeda americana se manteve acima desse patamar.

A nova formação de preços virá não só com os efeitos de um dólar elevado, mas também devido à dificuldade na obtenção de produtos no mercado externo.

Os grandes desafios das empresas brasileiras atualmente são alta externa de preços, custo logístico e dificuldades na obtenção de produtos.

“Estamos com um impacto enorme nos custos. Algumas moléculas vindas da China têm uma evolução de preços acima do que esperávamos e, em alguns casos, já estamos sofrendo falta de produto e atrasos no cumprimento de contratos”, diz Garcia.

O presidente do Sindiveg acredita, porém, que os efeitos desse cenário não vão afetar o plantio de soja deste ano. Distribuidores e cooperativas se prepararam e estão abastecidos. O pior virá no primeiro trimestre do próximo ano, uma vez que as indústrias se preparam agora para a produção dos insumos para aquele período.

Garcia acredita que essa dificuldade na obtenção de matérias-primas não é específica da agricultura, mas de todos os setores da economia. Ele vê um 2022 com aumento de taxa de inflação mundial, principalmente se a economia conseguir um ritmo normal após a vacinação contra a Covid-19.

Imposto de Renda - Os parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuária receberam documento de 38 entidades do agronegócio contrárias à proposta de reforma do imposto sobre a renda, formalizado no Projeto de Lei nº 2.337/2021.

Abrangente - As entidades afirmam que é indispensável que haja uma priorização da discussão e aprovação da reforma administrativa ampla e abrangente. Descartam o aumento de carga tributária para eliminar déficit de contas públicas sem que sejam repensados os gastos com a administração pública.

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