A África se move, o Mercosul é zumbi

A África se move, o Mercosul é zumbi

É inevitável comparar o passo adiante que a África está dando com o marasmo em que chafurda o Mercosul e, por extensão, o Brasil, o maior e mais rico país do bloco (aliás, a Argentina, segundo maior e mais rico, está no mesmo triste diapasão do Brasil).

Só esse passo, quando for dado, provocará um crescimento de 52,3% no comércio interafricano, calcula a Comissão Econômica para a África das Nações Unidas.

Entusiasma-se desde já o comissário de Comércio e Indústria da União Africana, o zambiano Albert Muchanga, em entrevista à agência espanhola Efe: Este tratado transformará a vida dos africanos. Mais: O mercado que estamos criando vai promover investimentos em grande escala e a produção vai aumentar na África`.

Claro que é sempre prudente tomar com o máximo de cautela as proclamações otimistas de autoridades, de qualquer continente. Mas é inevitável comparar o passo adiante que a África está dando com o marasmo em que chafurda o Mercosul e, por extensão, o Brasil, o maior e mais rico país do bloco (aliás, a Argentina, segundo maior e mais rico, está no mesmo triste diapasão do Brasil).

O Financial Times observa, em texto a respeito do novo passo africano, que só há um bloco no mundo no qual o comércio intrarregional é inferior ao da África.

Adivinhou, se disse que é o Mercosul: nos dois casos, só cerca de 20% do comércio é feito com os parceiros do bloco ou, no caso da África, com os países do próprio continente.

Outra comparação triste, para africanos: os países africanos estão mais conectados a outros continentes do que à própria África, constata o Financial Times.

Vale, no entanto, também para a América do Sul: é muito mais fácil para um brasileiro viajar de São Paulo para Miami, por exemplo, do que para Quito (para não mencionar Caracas).

Vale também para o Mercosul e a América do Sul em geral o comentário para o Financial Times de Karim Tazi, dono de Richbond, grupo manufatureiro marroquino com investimentos na Costa do Marfim e no Quênia: Para um acordo comercial realmente funcionar é preciso que os governos queiram implementá-los. Eles precisam dispensar a cobrança de tarifas alfandegárias e ativar a logística`.

No ritmo em que vão os governos sul-americanos, talvez não demore tanto tempo assim para que a América Latina seja o continente perdido (no caso, subcontinente).
 

www.prensa.cancilleria.gob.ar es un sitio web oficial del Gobierno Argentino