Acordo UE-Mercosul está em “stand by”, diz embaixador da União Europeia no Brasil

Acordo UE-Mercosul está em “stand by”, diz embaixador da União Europeia no Brasil

01/12 Espera é por realizações concretas por parte do governo brasileiro no combate ao desmatamento e às queimadas, disse Ignacio Ybáñez na Live do Valor

O embaixador da União Europeia no Brasil, o espanhol Ignacio Ybáñez, disse hoje que o acordo comercial entre o bloco e o Mercosul está em “stand by”, à espera de realizações concretas por parte do governo brasileiro no combate ao desmatamento e às queimadas e proativas em políticas de sustentabilidade. Segundo ele, contudo, sinalizações recentes da

O embaixador da União Europeia no Brasil, o espanhol Ignacio Ybáñez, disse hoje que o acordo comercial entre o bloco e o Mercosul está em “stand by”, à espera de realizações concretas por parte do governo brasileiro no combate ao desmatamento e às queimadas e proativas em políticas de sustentabilidade. Segundo ele, contudo, sinalizações recentes dadas pelo país, sobretudo posturas do vice-presidente da República, Hamilton Mourão, indicam que as negociações poderão avançar, com a assinatura e ratificação do acordo num futuro próximo.

“Agora, sim, o governo brasileiro compreendeu a mensagem [das reivindicações dos países sobre políticas ambientas]”, disse Ignacio Ybáñez na Live do Valor desta terçafeira, ao mencionar, por exemplo, o convite do vice-presidente para que lideranças europeias e do mundo visitem a Amazônia.

Segundo ele, outro aspecto positivo foi a criação do Conselho da Amazônia, que, na sua visão, colocará o foco das iniciativas do governo brasileiro, em seu conjunto, no combate ao desmatamento e às queimadas, e dessa forma poderá restabelecer estatísticas mais positivas. Ele ponderou que não se imagina chegar a desmatamento e fogo zero, mas é que possível avançar para práticas mais sustentáveis.

“Nossa convicção é que vamos chegar a esse acordo, e nossa convicção é de que vamos fazer esse esforço para restabelecer essa confiança”, afirmou ele, observando que sabe que não é um desafio fácil, dadas as dimensões da Amazônia e as dificuldades de acesso à região, e mesmo de comunicação.

Ignacio Ybáñez assumiu a direção da delegação da UE no Brasil em julho de 2019. Antes disso, foi secretário de Estado no Ministério das Relações Exteriores da Espanha, tendo sido também embaixador espanhol na Rússia.

Sobre o novo recorde de desmatamento na Amazônia – segundo dados preliminares levantados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e divulgados ontem, a área devastada chegou ao nível anual mais alto desde 2008 –, ele disse que ações por parte do governo vão contar para a agenda avançar.

“Se a confiança não for restabelecida, e realmente os parceiros europeus não virem que no governo brasileiro há uma vontade de colocar no centro de suas atividades a ideia da
sustentabilidade, o acordo não vai poder passar”, afirmou.

No entanto, na avaliação do embaixador, a atitude do governo brasileiro mudou de uma “forma notável”.

“Insisto, é verdade que os últimos números que recebemos ontem não são positivos. Mas achamos que a vontade do governo é mudar esses números”, ponderou.“E agora precisamos que essa mudança de atitude se transforme em fatos. Precisamos ter fatos positivos no âmbito do combate ao desmatamento e às atividades ilegais na Amazônia”, pontuou.

Segundo o embaixador espanhol, já foi dado o pontapé inicial, que é a manifestação da vontade política, mas há expectativas quanto à realização de políticas positivas por parte do governo brasileiro, num ambiente de cooperação com as nações envolvidas no acordo EU-Mercosul. “Tem o componente comercial, mas também tem componente de cooperação política, de cooperação em diferentes âmbitos”, observou.

Ybáñez lembrou que, em 20 anos de negociação, nem sempre houve convergência das partes. “Ano passado, se deu uma combinação, tanto do lado europeu, quanto dos países do Mercosul. E muito particularmente com o Brasil, primeiro com o presidente Temer [ex-presidente Michel Temer], depois já com o presidente [Jair] Bolsonaro. E também com outros parceiros, Argentina, Uruguai e Paraguai”, relembrou.

“Fizemos um grande esforço de todos os lados para chegar ao final das negociações, em junho do ano passado”, complementou o embaixador. Ele argumentou, contudo, que o recente avanço das queimadas e derrubadas, intensificadas em 2019 e 2020, “deixou o acordo em stand by, em situação de espera, que é baseado sobretudo num tema de confiança, para a União Europeia, e também para países do Mercosul.”

Ybáñez ressaltou que o acordo está baseado em valores, como a democracia e o respeito aos direitos humanos, e na agenda internacional da sustentabilidade.“[O desmatamento] Criou uma situação de desconfiança do lado europeu”, disse.

“Por isso a convicção da União Europeia de que não é possível ir adiante na assinatura e depois de ratificação do acordo”, frisou. “Mas temos que dizer que, nos últimos tempos, o governo brasileiro, junto com a União Europeia, tem feito um grande esforço para restabelecer essa confiança”, disse ele, para afirmar que o acordo continua a ser a aposta para o futuro.

“É importante do ponto de vista econômico. Vai criar riquezas dos dois lados. Vai criar oportunidades para empresas brasileiras e europeias. Vai criar âmbito de trabalho conjunto, de parceria”, enumerou.

O embaixador disse que é inquestionável a soberania do Brasil sobre a Amazônia, e que nenhum país questiona isso. Mas emendou que essa soberania se exerce ao fazer com que as leis brasileiras –para ele bastante avançadas, como o Código Florestal– sejam aplicadas.

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