Acordo entre Mercosul e UE é equilibrado e abre oportunidade para todos

Acordo entre Mercosul e UE é equilibrado e abre oportunidade para todos

ENTREVISTA - Chefe interina da delegação europeia, Claudia Gintersdorfer, diz que setor agrícola do bloco não sofrerá perdas e que montadoras do Brasil terão tempo para se adaptar.

A chefe interina da do. delegação da União Européia no Brasil, ClaudiaGintersdorfer, afirmou â Folha que nem o setor agrícola europeu nem segmentosda economia brasileira, como a indústria auto mobilística,vãoperdercomo tratado dc livre- comércio assinado entre a UE e o Mercosul.

Desde que a Comissão Europeia e os governos de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai chegaram a um acordo, no fim de junho, sindicatos de p rod utores agrícolas europeus têmse queixado de que a derrubada de barreiras de im top ortaç ão de p rodutos do Mercosul representa uma ameade ça aos agricultores da Europa.

No Brasil, há preocupação das montadoras com a entra da, no futuro, de carros importados mais baratos.

`Não ê um jogo de soma zero, em que um setor perde e o outro ganha. Acho que abre oportunidades para todos`, diz Gintersdorfer,que é alemã.

 Como encarregada de negócios, ela comandará a delegação ate a chegada do novo embaixador, o español lgnacio Ybáhez, prevista para as próximas semanas.

 Em entrevista na sexta-feira (12), na sede da missão da UE em Brasília, a diplomata disse ainda que o tratado éhistóri co porque fortalece o multilateralismo e umsistema internacional baseado no `comérlos cio aberto e justo` valores questionados tanto pelo na cionalismo de Donald Trump nos EUA quanto pelo brexit.

Em linhas gerais, como o acordo vai afetar as relações do Brasil com a União Europeia?

A UE é de longe o primeiro investidor estrangeiro no Brasil. Em termos de comércio, a UE é atualmente o segundo maior parceiro comercial do Brasil e esse é o nível em que estamos começando.  Apartir desse nível, isso vai incrementar. Tanto no comércio quanto em investimentos. Mas não é só um acordo de livre-comércio, tem uma parte política e de cooperação também. A parte comercial foi o foco sempre da imprensa, porque foi a parte mais difícil de negociar, masa parte política tem a sua importância.

Quais foram os compromissos políticos acertados entre a UE e o Mercosul?

É muito abrangente, cobre todo o le quedo nosso relacionamento e das nossas políticas externas. É, sobre tudo, uma questão de intensificar o diálogo, de cooperar também em nível internacional em fóruns multinacionais.

Então, por exemplo, reafirma o nos so compromisso com os tratados internacionais de direitos humanos.

 A mesma coisapara a questão do ambiente: reafirma os compromissos internacionais que já temos, como o Acordo de Paris.

Houve manifestações críticas ao tratado vindas do governo da França. A implementação do acordo ainda está sob risco?

 Não temos certeza de nada na vida 100%. Sempre tem algum risco. Mas eu estou confiante, porque o trabalho realizado até aqui pelos nossos negociadores foi impressionante.

 Mas produtores e sindicatos agrícolas na Europa têm sido especialmente críticos ao acordo, afirmando que estão ameaçados pela entrada de produtos agropecuários do Mercosul.

Sempre há setores mais sensíveis do que outros. Mas a Comissão Europeia [órgão executivo da UE] tomou todas as disposições para ter certeza de que seja equilibrado.  

Os setores mais sensíveis para nós são bem conhecidos: carne bovina, suína, de aves, açúcar, etanol, arroz e mel. Para eles, nós vamos dar cotas, não é um acesso livre dos produtos do Mercosul, que, claro, são muito competitivos. Por isso o medo dos agricultores europeus.

Por outro lado, agricultores europeus  ganham vant age ns com esse acordo. Há produtos [europeus] quevão tero acesso muito mais fácil ao Mercosul. Também temos a questão das indicações geo gráficas. E os procedimentos de exportação vão ser muito menos burocráticos e mais previsíveis.

Então, tudo isso são vantagens para o setor agrícola europeu. Acho que não se pode falar que o setor agrícola europeu vai perder, como também não sepode falar que é o setor industrial do Mercosul que vai perder. Não é um jogo de soma zero, em que um setor perde e o out ro g anha. Abre oportunidades para todos.

 Âquí no Brasil há preocupação do setor automotivo com a entrada, no futuro, de carros europeus mais baratos.

Aavali ação sobre os impactos no setor automotivo aqui corresponde mais ao Brasil.  Mas eu gostaría de fazer algumas considerações. É um setor que já conta com um investimento europeu muito importante. E claro que o acordo vai alavancar e estimular ainda mais investimentos, que geram empregos no Brasil.

Por outro lado, esse setor tem um período de transição bastante longo, um total de 15 anos para sepreparar. Se vocè calcular o tempo que o acordo vai precisar para entrar em vigor, realmente estamos falando de um período importante para o setor aquise preparar.

O acordo foi visto como um impulso ao Mercosul, que estava bastante questionado. Pode se dizer algo parecido sobre a UE, que sofreu um baque com o brexit e que se contrapõe ao nacionalismo dos EUA?

Eu acho que sim, é um acordo muito importante para nós. Deu um sinal de que ainda funciona o sistema internacional no âmbito do comércio, porque nós apostamos nesse sistema de comércio aberto e justo.

Claudia Gintersdorfer :  Nascida na Alemanha e chefe adjunta da delegação da UE no Brasil desde setembro de 2015, atuou como encarregada de negócios à frente da embaixada desde outubro de 2018; é membro de Serviço Europeu de Ação Exterior.

www.prensa.cancilleria.gob.ar es un sitio web oficial del Gobierno Argentino