Acordo com credores dá fôlego, mas é só inicio de recuperação da Argentina

Acordo com credores dá fôlego, mas é só inicio de recuperação da Argentina

A Argentina chegou a acordo com credores privados para reestruturar US$ 65 bilhões de sua dívida externa, o que dá ao governo fôlego para negociar com o Fundo Monetário Internacional (FMI). A retomada do crescimento, porém, depende de medidas macroeconômicas e reformas estruturais, dizem economistas ouvidos pelo Valor.

A Argentina anunciou ontem um acordo com credores privados para reestruturar US$ 65 bilhões da dívida externa. Isso dá alívio ao país para negociar um novo acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), mas retomar o crescimento dependerá de medidas macroeconômicas e reformas estruturais, dizem economistas.

Em nota, o Ministério da Economia argentino disse que três principais grupos de credores (AdHoc Group of Argentine Bondholders, Argentina Creditor Group e Exchange Bondholder Group) aceitaram `a proposta de reestruturação da dívida` emitida sob lei estrangeira. O Ministério adiou para o dia 24 o prazo para que a oferta seja aceita por todos os credores.

Na segunda-feira jã havia sinais de que o AdHoc, liderado pela BlackRock, e outros credores aceitariam receber títulos novos em troca dos títulos velhos de dívida por um valor de 55 centavos por dólar.

O pagamento desses novos títulos começará em janeiro de 2025. Faltam, porém, mais detalhes sobre esse complexo acordo.

`O governo começou oferecendo valor de troca de 40 centavos por dólar para os novos bônus, e os credores pediam 61 centavos. Acabaram fechando em cerca de 54,8 centavos`, diz Andrés Borenstein, da consultoria Econviews, ao ressaltar que o desconto é de 45,2%.

O risco de alguns credores não aceitarem e irem à Justiça contra a Argentina parece pequeno, diz Santiago Taboada, da consultoria Orlando Ferreres & Asociados. `Desta vez, os detentores de títulos são grandes fundos, que não se caracterizam pelo comportamento dos chamados ´holdouts´, que compram títulos soberanos a preços baixos para, sem um acordo, ir a litígio. Não parece ser o caso.`

O acordo era condição necessária para a recuperação da economia argentina, mas não é o suficiente. `Será preciso uin programa econômico razoável, que tenha como objetivo eliminar o déficit primário, baixar a inflação gradualmente e crescer`, diz Borenstein. Ele prevê que o país terá equilíbrio primário em 2023. `O mais importante do acordo é o que ele evita. Sem ele, seria extremamente difícil pensar em recupera r a economia.`

Segundo economistas, o governo terá agora de fechar acordo com credores da dívida interna, o que está caminhando, negociar um novo programa com o FMI, e encaminhar uma agenda de reformas e medidas que atraiam mais investimentos,

`A Argentina precisa de um novo programa para renegociar as condições de pagamento do principal e dos juros ao Fundo, que começam em 2021, mas estão concentradosem 2022 e 2023`, afirma Carlos de Sousa, da consultoria Oxford Economics. `Não esperamos que o FMI forneça empréstimos adicionais, mas que aceite adiar esses vencimentos.`

A Argentina tem pagamentos ao Fundo de US$ 3,6 bilhões em 2021, US$ 17,1 bilhões em 2022, USS 18,1 bilhões em 2023 e USS 4,65 bilhões em 2024, segundo cálculos da Oxford Economics.

Na noite de ontem, o ministro da Economia argentino, Martin Guzmán, disse que negociará com o FMI tanto o cronograma de pagamentos quan to `qual será a política fiscal e a política monetária no momento de recessão`. Pelo Twitter, a diretora-gerente do Fundo, Kristalina Georgieva, parabenizou o governo por ter chegado a um acordo com os credores externos.

`O acordo é o ponto de partida para voltar a direcionar a economia argentina. Agora, é sentar com o FMI para negociar também novas condicionalidades e reformas estruturais, como trabalhista, tributária e da Previdência`, afirma Taboada. `Sem elas, será muito difícil a Argentina crescer de maneira sustentável. Nos ültimos dez anos, a Argentina Ficou estagnada e não conseguiu crescer dois anos consecutivos.`

O FMI estima que o PIB argentino terá contração de 10% neste ano. A Orlando Ferreres & Asociaclos prevê queda de 13% em 2020 e crescimento de 6,6% em 2021.

`O consenso alcançado com credores é um alívio para a Argentina porque afasta o pior cenário possível, o de um default desordenado, mas a Argentina tem os mesmo desafios de antes`, diz Ramiro Castineira, da consultoria Econométrica. `Não é apenas déficit orçamentário alto, mas legislações comercial, tributária e trabalhista obsoletas, que impedem o país de ter uma estrutura legal pró-empresa e pró-einpregado. 0 governo terá de mostrar qual é o seu plano econômico para a Argentina, o que ainda não se sabe.`

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