32 grandes empresários defendem plano similar ao de Bolsonaro para isolamento

32 grandes empresários defendem plano similar ao de Bolsonaro para isolamento

Com a escalada de medidas sanitárias de isolamento para contenção da velocidade de contágio pelo coronavírus no Brasil, 32 grandes empresários demostram alinhamento com a proposta do presidente jair Bolsonaro de optar pelo isolamento vertical deixando fora das atividades da cadeia de produção pessoas com 60 anos ou mais, portadores de comorbidades ou doenças que os coloquem no grupo de risco para a covid-19, e jovens que apresentem sintomas de gripe ou resfriado,

Na indústria, a solução seria colocar os funcionários a dois metros de distância, seguir protocolos rígidos de higienização e a ferir a temperatura dos trabalhadores a cada duas horas. Os que apresentassem sintomas de gripe ou febre seriam dispensados e encaminhados para casa ou atendimento ambulatorial.

Ainda que o pronunciamento do presidente em cadeia nacional de rádio e TV, anteontem ã noite, tenha soado radical, empresários ligados a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e ao Conselho Diálogo pelo Brasil, entidade que reúne as maiores empresas do Brasil, estão preocupados com uma situação de colapso econômico e produtivo que acreditam que possa se instalar após três ou quatro meses de quarentena. O conselho é vinculado ã Fiesp.

Essa preocupação do empresariado foi reportada ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, na reunião com empresários realizada na terça-feira.

Há consenso no empresariado de que alguns setores não podem parar, mesmo no meio de uma pandemia mundial, sob risco de interrupção das cadeias de produção e logística. Na reunião com o presidente do Supremo foi dito que uma eventual disruptura total da produção em frigoríficos, por exemplo, ao longo de um mês, levaria ao desabastecimento quase imediato de supermercados. A interrupção total da atividade produtiva causaria desbastecímento até dezembro, estimaram alguns dos participantes da conversa com Toffoli.

Wesley Batista, presidente de operações do frigorífico JBS na América Latina, disse que a empresa pretende manter seus cerca de 120 mil funcionários e explicou que o processo produtivo envolve 10 mil famílias de produtores rurais integrados na cadeia de suínos e aves, além de cerca de 35 mil pecuaristas.

`É preciso que tenhamos certeza de que haverá harmonia entre os três Poderes, além de segurança jurídica`, disse o presidente do conselho de administração do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco.

O empresário Paulo Moll, da Rede D´Or, manifestou preocupação com o fornecimento de insumos. De acordo com ele, há Estados requisitando todo o estoque disponível. `Isso rompe toda a cadeia de fornecimento aos hospitais`, alertou ao presidente do Supremo.

Já o presidente da Coteminas, Josué Gomes da Silva, destacou preocupação com a retomada da economia num ambiente de calamidade e incertezas. O entendimento do empresariado se choca com a opinião do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que é contrário à proposta de isolamento vertical. O ministro vinha afirmando sua preferência por seguir o rigor dos protocolos internacionais, com o foco voltado à contenção da curva de crescimento do contágio. Mas ontem, em entrevista coletiva em Brasília, Mandetta usou tom conciliador e sugeriu a adoção de uma solução intermediária, mais próxima da desejada pelos industriais alinhados ao presidente Bolsonaro. Em uma conversa ocorrida ontem, na Fiesp, um interlocutor resumiu a angústia do empresariado: `Um país não pode ser governado apenas pelo crivo médico. Se não houver produção e logística, os médicos na linha de frente vão comer o que? Vão trabalhar com água e luz gerada por quem?` O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, tem evitado comentar publicamente os embates sobre a adoção ou não do isolamento vertical. Potencial candidato ao governo do Estado de São Paulo em 2022 e futuro coordenador do partido de Bolsonaro em São Paulo, o Aliança Pelo Brasil, Skaf tem fugido do desgaste político. Ele é hoje o principal interlocutor da indústria paulista com o governo Bolsonaro.

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